A SAGA – Primeira série em teledramaturgia independente produzida no Paraná

Manaoos Aristides talvez seja um dos diretores que mais encarna a máxima do cinema independente no Paraná.
Pioneiro na história da teledramaturgia, Manaoos tirou da gaveta em 1984 um projeto ousado, dramatizar a história fora do eixo Rio-São Paulo no que podemos chamar de regionalização da cultura.
Para que possamos nos situar, a regionalização da cultura veio acontecer somente agora nas televisões a exemplo da RPC.
Acreditando que isso é possível Jorge Guirado abraçou a idéia e em 1999 começaram a ser rodadas as primeiras cenas. O interior do Estado não conhecia como eram feitas as grandes produções, e lá estava o produtor Talício Sirino empenhado na construção da cidade cenográfica em Cascavel para as primeiras tomadas.
Começou ali sobre o lamaçal de terra vermelha, pois pegaram um inverno chuvoso, o primeiro feito da teledramaturgia no Estado que viria a ser a primeira série produzida por aqui.
No roteiro, também escrito por Manaoos Aristides, a história do Paraná discorre sobre fatos que contribuíram para sua formação. O compromisso é familiarizar a população com nomes importantes e episódios marcantes.
A Saga começa em 1541 com a descoberta das Cataratas por Cabeça de Vaca, 1888 com a instalação da Colônia Militar em Foz do Iguaçu, 1916 a visita de Santos Dumont ás Cataratas que culminou na criação do Parque Nacional, 1924 com a passagem da Coluna Prestes pelo Oeste e nas décadas seguintes, episódios como a grilagem de terra, os posseiros, os jagunços, os cabarés, as pequenas revoltas, os romances proibidos, os legados.
Desde seu inicio em 1999, A Saga teve grandes intervalos sem filmar devido a falta de recursos, mas graças a parcerias das produtoras Z-1, Vision Art e Locall Equipamentos de Cinema e Televisão, Manaoos Aristides concluiu A Saga com grande elenco e a participação de atores profissionais e amadores de todo Paraná.

O cenário


As filmagens envolveram mais de 4 mil pessoas em todo o estado entre atores, figurantes e equipe técnica. O projeto quase que itinerante percorreu 27 cidades e mais de 30 locações, de cenário, serviram casas, estações de trem, fazendas, rios e montanhas. Algumas já estavam perfeitas, ao passo que outras tiveram de ser inventadas como é o caso da construção de três cidades cenográficas, uma em Cascavel retratando idos da década de 30 a 50, uma em Foz do Iguaçu com referências da cidade no inicio do século e em Porto Mendes também remetendo ao mesmo período.


“ Foi como criar uma civilização em uma cidade. É preciso dar duro, aprender até mesmo sobre carpintaria para fazer cinema. Mas as recompensas são bem maiores quando você se dedica de corpo e alma a um projeto, e foi o que todos fizeram. Os três ambientes erguidos criaram uma atmosfera que nos remete exatamente aquela época. A Saga é uma história universal, mas é também uma história paranaense. Se conseguimos captar isso, o mundo poderá começar a olhar para nossa cultura.” Manaoos Aristides.

Os atores


Manaoos sabe parar a câmera e permitir que os atores respirem em registros diferentes sem que entrem em conflito e que dêem vida própria ao personagem deixando o ator extrair de si os trejeitos e manias que compõe cada uma das figuras que permeiam as histórias da série.
É o caso de Raymundo de Souza que mais uma vez está brilhante, depois de grandes personagens em “Terra Nostra, Vidas Opostas”, na A Saga ele traça um personagem um tanto diferente, com sotaque carregado, hábitos brejeiros e pinta de canastrão que só abandona o estereótipo ao encontrar a bela Iracema, personagem representada pela estreante curitibana Thuany Lins.
João Vitti (Éramos Seis o Cravo e A Rosa) é a figura principal da trama. Vivido por outros dois atores Daniel Lange e Adilson Girardi, na idade da adolescência, seu personagem Audálio percorre toda a trama como se costurasse a linha do tempo dentro da série, ele vive uma paixão proibida com a vivandeira Santa Rosa que ganha força e vivacidade na interpretação de Gabriela Alves (Ramos Seis, Lampião).
Roberto Bomtempo (Casa da Sete Mulheres / Pantanal) empresta seu talento para interpretar o explorador espanhol Cabeza de Vaca que trilha o caminho das impossibilidades para chegar até as Cataratas e depois é julgado pelo tratamento igualitário que dá aos índios indo acabar nas masmorras espanholas proibido de navegar por outros mares.
A narrativa da A Saga será feita pelo Terencio Goulart, interpretado por Emilio Pitta e tem também no elenco o ator Valdir Fernandes (Meu Pé de Laranja Lima/ Grandes Sertões Veredas/ Mandacaru) que transforma o personagem numa figura engraçada amarrando todo um círculo de histórias perdidas em meio ao nascimento das cidades.
Além disso, é dele a responsabilidade sobre todo o elenco, de caçar talentos por onde o projeto passa e colocar cidadãos anônimos contracenarem com grandes nomes da televisão, do teatro e do cinema brasileiro. Denis Derkian (Duas Caras, Grande Sertão Veredas) interpreta o Coronel Dornelles, posseiro que acaba roubando a cena de vários personagens. Foi uma grande surpresa na serie.

Emílio Pitta, Claudio Ribeiro, Carlos Villas Boas, Claudete Pereira Jorge, Inezita De Mari e Débora Santos são as estrelas paranaenses que se juntam ao time envolvido no projeto desde seu início.
Ainda do eixo Rio-São Paulo, tiveram participação Munir Kanaan (O Profeta,Duas Caras), Alexandro Malvão (Kubanaka, Sete Pecados) , Hélio Zach (Anos Rebeldes), Danilo Faro (Malhação) e Olga Bongiovanni (Apresentadora da Rede TV).

Da assessoria: Beth Caponni.

Manaoos Aristides entrevistado pelo programa Cine Ó

Confira:

Parte 1

Parte 2

Sequência da parte 2:

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http://margaritasemcensura.com/?p=11832&cpage=3#comment-9909

 

Nova chamada de "A Saga" no Youtube, confira abaixo:

 

http://www.youtube.com/watch?v=tBV2jhhlpdw&feature=player_embedded

 

Fotos das filmagens em Mandirituba (1 a 5/12/2011)

 

 

 

 

 

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